quinta-feira, 28 de julho de 2011

Amor

Henri Matisse

A casa toda é silêncio então penso em ti, resgatando da modorra o calor das tuas mãos largas, tua respiração compassada, a força dos braços amparando meu desmaio – quanta vergonha eu senti! – naquela cidade estranha.

Sim, eu bem poderia ter cuidado também de ti, mas a razão me fez lavar os lençóis antes do sono. Por outro lado, veja, não foram de todo vãs as horas que repousei no teu ombro. Prova disso é esse odor adocicado que rompe a concretude da janela fechada e quase, quase roça minhas narinas...

(Ah, porque diabos fui salvar tua imagem da funda gaveta do esquecimento!)

Agora te vejo aqui, em meio a toda essa minha lassidão e renúncia, e me sinto obrigada a confessar que não sei o que fazer com esses olhos escuros, sonolentos: desculpe, estou distraidamente cansada - sem vontade nenhuma de te reinventar, amor.

7 comentários:

Lu Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lu Gomes disse...

Ah! O amor... Mas, penso que ele não combina mesmo com a razão.

eduengler disse...

Xiii, aí tem minha amiga, aí tem.

Servir de todo coração disse...

como sempre, linda crônica...ai, o amor, o amor...

Anônimo disse...

acho que essa mulher que escreve aqui está se tornando minha escritora preferida!
beijos
Silvana

Anônimo disse...

Nada do que foi será... Ainda assim, de vez em sempre, bate uma saudade...

Leila Jalul

Marcos Afonso disse...

... "Que mistérios tem Clarisse, pra guardar-se assim tão triste?..."