quinta-feira, 21 de julho de 2011

Silêncio


A manhã me encontra com a derrota nas mãos. Entre os dedos, longos e cansados, repousa o texto que há 12 horas cresce e silencia em mim. As palavras guardam o cheiro de mata, coragem e sangue. Sussurram o choro de uma viúva e as lembranças da menina que brincava de bola com o pai no terreiro da casa. Suas imagens me rodeiam e sinto vergonha por não conseguir dar-lhes voz.

Também me envergonha a constatação de que é preciso reinventar o tempo para não deixar que morram atropeladas pelos ponteiros burocráticos, as histórias que devemos contar e ouvir.

Quem matou Wilson Pinheiro?

Um comentário:

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Mas fez-se uma história: de silêncios, palavras encontradas e horas passadas... Adorei o teu blog!